Pegadinhas de concurso: evite 11 erros de português

Tempo de leitura: 6 minutos

 

A avaliação de língua portuguesa é presença garantida em todas as provas de concurso. Para muitos, o português pode ser uma pedra no sapato. Isso porque a língua do famoso “marinheiro caolho” (que não é Popeye, mas o poeta Camões) é cheia de regrinhas que muitas pessoas não conseguem entender.

Se você é daqueles que têm dificuldades com português e, por causa disso, está perdendo oportunidades de ingressar em uma carreira pública, leia o post e veja 11 pegadinhas de concurso em língua portuguesa!

Regência verbal e nominal

No caso das palavras variáveis, os nomes, deve haver ajustes em relação ao gênero (masculino/feminino) e ao número (singular/plural). No caso de verbos, é preciso considerar o número, os pronomes e os complementos. Veja alguns exemplos com a palavra principal em destaque:

  1. Segue anexa (anexo) a foto.

  2. É proibida (proibido) a entrada.

  3. Amo-te (lhe), Matilde! [verbo transitivo direto].

  4. Assisti ao (o) filme. [verbo transitivo indireto].

  5. Meio dia e meia (meio). [a palavra que rege está oculta: hora, gênero feminino].

Por que, porque, porquê, por que

O uso dos porquês é uma das principais causas de erros dos concurseiros. Primeiramente, responda à pergunta:

  • Por que, ao escrever a palavra acima (em negrito), usamos a forma “porquê”?

Porque, nesse caso, trata-se de um substantivo. Toda vez que a palavra aparecer precedida de artigo (ou se ele estiver subtendido), ela será substantivo e deverá ser escrita assim: porquê. Exemplo:

  • Qual o porquê dessa festa?

Considerando a pergunta feita e a resposta dada, vemos mais 2 casos: por que e porque. “Por que” é um advérbio usado no começo de frases interrogativas ou no meio delas, desde que possa ser substituído por “pelo qual”, “para que” e seus derivados ou a palavra “razão” possa ser acrescentada logo depois. Exemplos:

              1. Por que você vai fazer essa festa?

              2. O motivo por que (pelo qual) você fará essa festa é desconhecido.

              3. Não sei por que (razão) você fará essa festa.

porque é uma conjunção usada em explicações e respostas. Exemplo:

  • Vou fazer essa festa porque desejo comemorar minha aprovação no concurso.

Finalmente, temos por quê, que deve ser usado no final das frases interrogativas. Exemplo:

  • Você vai fazer essa festa por quê?

Mas e mais

Mas deve ser considerado como conjunção adversativa, usada para passar ideia de oposição e podendo ser substituída por “porém”, “contudo”, “todavia”. Mais é advérbio de intensidade ou conjunção aditiva, indicando gradação crescente, quantidades e acréscimos (opõe-se a “menos”). Exemplos:

1. Gostaria de passar no concurso, mas (porém, contudo) o português me atrapalha.

2. Aquele concurso é o mais disputado do estado.

3. Ele estuda cada vez mais para o concurso.

Menos e menas

Menos é um advérbio de intensidade e, assim, é usado em comparações, gradações, quantidades e subtrações (opõe-se a mais). É uma palavra invariável, usada tanto para o gênero masculino como para o feminino. Já “menas” é uma palavra que não existe na gramática. Portanto, jamais use-a! Exemplos:

  1. Essa prova foi menos difícil do que a do outro concurso.

  2. Três menos um são dois.

  3. Ele não é mais bonito, é menos feio.

Meio e meia

Lembre-se de que meio pode ser advérbio e numeral. Como advérbio, ele é invariável, mas como numeral, acompanha o gênero (masculino ou feminino). Exemplos:

Advérbio:

  1. Ele está meio triste.

Numeral:

  1. Bebi meio copo de leite.

  2. Bebi meia xícara de leite.

Onde e aonde

Onde indica permanência, aonde indica deslocamento. É possível substituir aonde por a que lugar/para que lugar. Outra dica é que se usa aonde, em regra, diante dos verbos ir e chegar. Já onde pode ser substituído por em que lugar. Exemplos:

  1. Onde (em que lugar) serão as provas do concurso?

  2. Onde você trabalha?

  3. Aonde (a que lugar) eles chegaram depois da caminhada?

  4. Aonde eles foram?

Mal e mau

Mal é advérbio, contrário de bem. Mau é adjetivo, contrário de bom. Para usar corretamente, basta substituir as palavras por seus antônimos e ver qual se encaixa melhor. Exemplos:

  1. O mau (bom) tempo durou o dia todo.

  2. Ele é mal (bem) comportado.

  3. O mal (bem) está em toda parte

Observe que, nesse último caso, mal é substantivo, mas pode ser substituído por bem. Mau nunca será substantivo.

Para eu e para mim

Use sempre para eu antes de verbos no infinitivo, sendo o pronome “eu” o sujeito da ação. Use para mim como complemento preposicionado depois dos verbos, geralmente ao final das frases. Exemplos:

  1. Traga o material para eu ver se está tudo certo.

  2. Ele entregou as roupas para mim.

  3. Traga-o para mim.

Se não e senão

Aí vai uma dica para não cair nessa pegadinha: sempre que puder encaixar um pronome do caso reto entre o se e o não, use se não (verifique se você pode substituir a expressão por caso não). Senão, conjunção adversativa, pode ser substituída por caso contrário, de outro modo (sua finalidade é unir duas frases, estabelecendo condições/oposições). Exemplos:

  1. Se não passar (caso não passe), a chuva vai acabar com tudo.

  2. É melhor eu ir hoje, senão (caso contrário) perderei o emprego.

  3. Se (ele, você) não vier, estará demitido.

Crase

A crase só pode ser usada diante de palavras femininas. Uma forma de descobrir se a palavra feminina exige a preposição a é colocando-a no masculino e verificando se é necessário usar ao. Exemplos:

  1. Vamos à cidade.

  2. Falei à sua mãe/Falei a sua mãe (uso facultativo diante de pronomes possessivos).

  3. Respondi à pergunta (se substituirmos a palavra pergunta por um equivalente do gênero masculino, é preciso usar ao: Respondi ao questionamento).

  4. Ancoramos o barco e fomos a terra (uso proibido quando terra estiver em oposição a mar, sentido de terra firme).

  5. Fui até à rua/Fui até a rua (depois de “até”, o uso é facultativo).

  6. Pedi desculpas à Raquel/Pedi desculpas a Raquel (uso facultativo antes de nomes próprios).

  7. Ele usava bigode à Carlitos (usa-se crase porque está subentendida a palavra feminina moda: Ele usava bigode à moda Carlitos).

  8. Cheguei a casa muito tarde (quando casa refere-se ao próprio lar, não se usa crase, mas se vier uma palavra que modifique ou amplie o sentido de casa, então a crase é obrigatória: Cheguei à casa de meus pais muito tarde).

Sujeito e predicado

Dica final: cuidado para não separar com vírgulas ou outros sinais o sujeito do predicado. Eles se amam tanto que separá-los é considerado crime pela juíza Gramática. Fique de olho nas frases invertidas:

  1. Os fenícios chegaram ao Brasil após cruzarem os 7 mares.

  2. Após cruzarem os 7 mares, chegaram ao Brasil os fenícios.

Está se preparando para concursos? O que achou das dicas? Para ajudar outros concurseiros, compartilhe este post em suas redes sociais! E aproveite para conferir também o nosso post Qual é o melhor curso para o meu concurso?. Até a próxima!

 

Sobre Blog Concursado

Sou ex-Oficial Aviador da Marinha e bacharel em Ciências Militares pela Escola Naval.Sou um dos responsáveis pelo Blog Concursado que já tem 16 anos de história. Venho nesse Blog passar toda a minha experiência, pois já consegui ser aprovado em 33 Concursos Públicos, entre eles Delegado Civil e Federal e tantos outros. A nossa missão e compromisso é ajudar você ser aprovado também.